ASEMESP transforma homenagem às mulheres em encontro de formação e liderança na gestão pública
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Mais de 200 participantes acompanharam em Barueri um evento marcado por palestras de gestoras que compartilharam trajetórias, desafios e reflexões sobre o papel da mulher nos espaços de decisão.
Por Paulo Pinto / ASEMESP
Barueri, 12 de março de 2026
Em celebração ao Dia Internacional da Mulher, a Associação dos Secretários Municipais de Esporte do Estado de São Paulo (ASEMESP) promoveu, nesta quinta-feira (5), em Barueri, um encontro inédito dedicado à valorização feminina e à formação de novas lideranças na administração pública.
Realizado no auditório do Complexo Esportivo Jardim Silveira, o evento reuniu mais de 200 participantes, entre secretárias municipais, gestoras públicas, profissionais do esporte e representantes de diferentes áreas do serviço público.

A iniciativa foi organizada pela ASEMESP, com apoio da Prefeitura de Barueri, por meio da Secretaria Municipal de Esportes e da Secretaria Executiva dos Assuntos da Mulher.
Mais do que uma homenagem simbólica, o encontro foi pensado para oferecer formação, reflexão e inspiração às mulheres que atuam em posições estratégicas no setor público. A proposta da entidade foi proporcionar um ambiente de troca de experiências e aprendizado a partir das trajetórias de quatro gestoras públicas reconhecidas por sua atuação e liderança.

Durante a programação, cerca de 40 mulheres que atuam nas mais diversas áreas da administração pública e da gestão esportiva foram homenageadas, em reconhecimento à contribuição que oferecem diariamente ao desenvolvimento das políticas públicas em seus municípios e instituições.
Pluralidade de trajetórias
Entre as homenageadas estavam mulheres que atuam em diferentes esferas da administração pública e da vida profissional. O encontro reuniu uma prefeita, uma vice-prefeita e 17 secretárias municipais, além de gestoras das áreas esportiva e educacional. Também participaram professoras do ensino fundamental, profissionais de educação física, psicólogas, pedagogas, fisioterapeutas, coordenadoras pedagógicas, gestoras escolares e lideranças comunitárias ligadas a projetos esportivos e sociais. A diversidade dessas trajetórias foi ampliada ainda pela presença de uma procuradora do Ministério Público Estadual e de uma campeã olímpica, compondo um mosaico de experiências que evidenciou o alcance e a relevância da participação feminina na administração pública e nas políticas voltadas ao esporte, à educação e ao desenvolvimento social.

Segundo o presidente da ASEMESP e secretário de Esportes de Barueri, Tom Moisés, o encontro buscou ir além da celebração da data, oferecendo às participantes uma oportunidade concreta de formação e reflexão.
A ideia, segundo ele, foi reunir mulheres que ocupam posições de liderança para compartilhar experiências, desafios e caminhos possíveis para ampliar a presença feminina nos espaços de decisão.

Mauzler Paoli destaca protagonismo feminino na gestão pública
Na sequência da abertura do encontro, o secretário-executivo da ASEMESP, Mauzler Paoli, fez sua explanação destacando o crescimento da presença feminina nos espaços de decisão da administração pública e ressaltando a importância de iniciativas que valorizem e incentivem essa participação.
“Esta é uma iniciativa inédita que realizamos. Estamos na gestão pública e temos observado o crescimento da presença das mulheres nos postos de trabalho, principalmente na administração pública. Hoje temos 68 prefeitas eleitas no estado de São Paulo e também um número crescente de secretárias municipais. Eu entendo que precisamos incentivar cada vez mais as mulheres nesses espaços.

Estava conversando com a professora Fernanda e comentávamos justamente sobre isso: as mulheres que ocupam posições na gestão pública possuem uma sensibilidade muito grande no trato com as pessoas. Nós, homens, muitas vezes somos mais racionais e pragmáticos. E isso nem sempre é suficiente quando lidamos com o cidadão. A mulher tem essa sensibilidade adicional que contribui para uma sociedade mais justa.
Nosso objetivo aqui é justamente dar visibilidade às capacidades das mulheres, que são extremamente eficientes em suas funções. Queremos enaltecer o trabalho de todas essas profissionais que atuam com dedicação nas mais diversas áreas da administração pública”, destacou.

Ao final de sua fala, Mauzler apresentou a convidada seguinte da programação. “Quero apresentar a doutora Adriane Reis, procuradora do Ministério Público do Estado de São Paulo. Ela foi precursora de uma iniciativa muito importante em defesa das mulheres, abordando um problema que muitas vezes permanece invisível na sociedade: o assédio e as diversas formas de violência. Trata-se de um trabalho fundamental, especialmente para quem atua com crianças e jovens, e que revela a preocupação do Ministério Público com essas questões que nos envolvem diretamente”, afirmou.
Ministério Público apresenta iniciativa de enfrentamento à violência contra a mulher
Em sua apresentação, a procuradora Adriane Reis, do Ministério Público do Estado de São Paulo, iniciou sua participação agradecendo o convite e ressaltando a importância de discutir um tema que, embora difícil, faz parte da realidade cotidiana da sociedade brasileira.
“Para mim é uma grande satisfação estar com vocês nesta semana dedicada às mulheres, falando sobre um tema que faz parte do nosso cotidiano. É um assunto difícil, mas necessário: a violência e o assédio contra a mulher no Brasil. Precisamos refletir sobre o que podemos e devemos fazer para modificar essa realidade”, afirmou.

Ela explicou que o Ministério Público criou uma iniciativa voltada justamente para ampliar o debate e estimular ações concretas de enfrentamento a essas situações. “Criamos o pacto ‘Ninguém Se Cala’, e eu gostaria de explicar um pouco para vocês como ele funciona e por que ele é tão importante.”
Antes de detalhar o programa, a promotora compartilhou também um aspecto pessoal de sua trajetória. “O esporte esteve presente na minha vida desde a infância. Sempre tive curiosidade de experimentar diversas modalidades. Já pratiquei handebol, tênis, esgrima e, mais recentemente, artes marciais.

Confesso que, antes de iniciar nas artes marciais, tinha uma visão completamente equivocada. Achava que era uma prática que poderia tornar as pessoas violentas ou agressivas. E descobri exatamente o contrário. As artes marciais me ensinaram a compreender meus limites, entender o meu corpo, perceber até onde posso ir e respeitar também o limite do outro.”
Segundo ela, essa compreensão está diretamente relacionada ao tema discutido no encontro. “Isso tem muito a ver com o tema que estamos discutindo aqui hoje. A violência e o assédio acontecem justamente quando esses limites são ultrapassados, quando alguém age de maneira absolutamente inadequada, invadindo o espaço e os direitos do outro.”

A procuradora ressaltou que os casos de violência contra a mulher ocorrem em diferentes ambientes da sociedade. “As mulheres sofrem violência e assédio em praticamente todos os lugares: ao sair de casa, no transporte público, nas ruas, nos ambientes de trabalho, nas escolas e, muitas vezes, dentro da própria casa. Não há horário e não há um único espaço onde isso não possa acontecer.
Se não podemos afirmar que 100% das mulheres já passaram por isso, certamente podemos dizer que a grande maioria já enfrentou algum tipo de violência ou assédio ao longo da vida.”

Segundo ela, os dados no Brasil são extremamente preocupantes. “O Brasil é hoje o quinto país que mais mata mulheres no mundo. Temos, em média, quatro mulheres assassinadas por dia simplesmente por serem mulheres. Além disso, registramos cerca de 82 mil estupros por ano. Considerando a subnotificação, a estimativa é que esse número possa chegar a 800 mil casos. E cerca de 70% das vítimas são meninas com menos de 14 anos.”
Diante desse cenário, a procuradora destacou a importância de iniciativas que promovam conscientização e mudanças estruturais na sociedade. “Quando falamos em políticas de proteção às mulheres, não estamos falando apenas das mulheres. Estamos falando das famílias e da sociedade como um todo. No Brasil temos cerca de 15 milhões de mulheres chefes de família. Portanto, quando protegemos a mulher, protegemos também toda a estrutura familiar.”

Após apresentar o panorama da violência contra a mulher no país, Adriane explicou que o Ministério Público decidiu avançar para ações concretas de conscientização e prevenção.
“Diante dessa realidade, entendemos que não bastava apenas discutir o problema. Era preciso criar mecanismos para enfrentá-lo de forma mais ampla. Foi nesse contexto que o Ministério Público do Estado de São Paulo, em parceria com o Ministério Público do Trabalho, criou o pacto ‘Ninguém Se Cala’, uma iniciativa voltada justamente para ampliar a conscientização e estimular ações efetivas de enfrentamento à violência e ao assédio contra a mulher.

A proposta é envolver a sociedade em diferentes ambientes — bares, restaurantes, casas de espetáculos, eventos e espaços públicos — para que as pessoas saibam identificar situações de risco e possam oferecer apoio e proteção às mulheres que estejam enfrentando situações de violência ou importunação.
Esse pacto nasce da necessidade de fortalecer o compromisso social no combate a práticas que ainda estão muito presentes em nossa sociedade, como a cultura do estupro e outras formas de violência contra a mulher. A adesão é voluntária, mas representa um compromisso de responsabilidade social muito importante, porque amplia o debate, promove informação e ajuda a construir uma rede de proteção mais efetiva para as mulheres.”

Experiência, coragem e liderança
A segunda palestrante da tarde esbanjou carisma, experiência e segurança. Ivana Maria Bertolini Camarinha, prefeita de Pederneiras e atualmente em seu quarto mandato, é reconhecida por conduzir a administração pública do município com equilíbrio, sensibilidade, austeridade e firmeza administrativa.
Em sua palestra, ela compartilhou aspectos marcantes de sua trajetória pessoal e política, ressaltando os desafios enfrentados pelas mulheres que decidem ocupar posições de liderança.
“Eu sou fanática pela defesa da mulher. Toda a minha vida política é pautada, principalmente, pelos temas relacionados à emancipação e ao desenvolvimento das mulheres. Então, quando existe algum evento que permita reunir mulheres para trocar experiências sobre a atuação no mercado de trabalho — algo que considero maravilhoso — eu participo e apoio. Porque é exatamente isso que a sociedade espera de nós.

Estou em meu quarto mandato e estou aqui para contar um pouco da minha história a vocês. Sou uma mulher casada e já era avó quando, após me curar de um câncer agressivo, interpretei que Deus havia me salvado para cumprir uma missão social. E, praticamente da noite para o dia, resolvi me candidatar a prefeita de Pederneiras.
Naquele momento, nem mesmo tive o apoio da minha própria família. Alguns chegaram a acreditar que eu havia enlouquecido. Também não consegui encontrar um candidato que aceitasse ser meu vice-prefeito. Nenhuma empresa ou empreendimento se dispôs a me apoiar. Era o reflexo do machismo e da indignação de muitos que simplesmente não aceitavam a ideia de uma mulher comandar a nossa cidade.

Hoje estamos aqui juntas. E não vou apenas contar a minha história para vocês. Vou mostrar tudo o que fiz e como fiz para superar preconceitos — inclusive de pessoas que amo e que foram contrárias às minhas escolhas. Mas esta fala não é apenas sobre mim. Ela é, sobretudo, sobre vocês e sobre as escolhas que cada uma precisa ter coragem de fazer.
Quero apenas antecipar uma reflexão que considero essencial: ninguém pode fazer escolhas por vocês ou interferir no caminho que cada uma decide seguir.
Juntas podemos lutar, dialogar e defender os ideais de todas vocês. Mas, antes de tudo, quero parabenizar cada uma por estar aqui hoje. A presença de vocês já demonstra preocupação com o futuro, com a qualidade de vida e com a busca por espaço em todas as áreas da atividade humana.

Também quero parabenizar o Mauzler Paoli, secretário-executivo da ASEMESP, e o Tom Moisés, presidente da entidade, pela sensibilidade de nos proporcionarem este importante momento de inflexão e reflexão sobre o verdadeiro papel da mulher na sociedade.”
Inclusão como bandeira na gestão esportiva
A palestrante seguinte foi a vereadora Kesley Cristine Foresto Cavichio (PL), atual secretária de Esportes de Campo Limpo Paulista, cuja trajetória no esporte começou nas quadras, como atleta de basquete, antes de ingressar na vida pública.
Em sua fala, ela relembrou o momento em que recebeu a notícia de sua eleição e como aquele episódio marcou o início de uma nova etapa em sua vida.
“Na noite da eleição eu estava sentada no sofá quando recebi a notícia de que havia sido eleita. Fiquei pensando: ‘Meu Deus, o que foi que eu fiz da minha vida? O que vou fazer agora?’. E naquele momento eu pedi para Deus me dar um propósito. Falei: ‘Senhor, me mostra qual é o meu propósito’.

Eu sempre vivi o esporte. Cresci dentro do esporte, dei aula, trabalhei em projetos esportivos na minha cidade e joguei em várias equipes. Eu imaginava que minha missão seria trabalhar com esporte e com mulheres, mas Deus foi colocando pessoas na minha vida que me mostraram que minha verdadeira bandeira seria a inclusão na vida pública.”
A secretária destacou o papel de uma de suas colaboradoras nesse processo. “Uma das pessoas que Deus trouxe de volta para a minha vida foi a Aide Angélica de Oliveira Nessi, que trabalha comigo na Secretaria de Esportes e desenvolve um trabalho muito forte na área da inclusão. Foi ali que comecei a entender que essa seria a minha missão.”

Ao assumir uma cadeira na Câmara Municipal, Kesley decidiu transformar essa convicção em pauta de atuação política. “Não é fácil conquistar uma cadeira na Câmara Municipal. Quando cheguei lá comecei a defender essa bandeira. No início eu não sabia se iria dar conta, mas fui recebendo apoio e iniciamos um trabalho muito forte em defesa das pessoas com deficiência.
Quero agradecer muito aos vereadores da Câmara Municipal, porque eles me apoiaram bastante. Quando surgia algum tema relacionado à inclusão, diziam: ‘Chama a Kesley, chama o gabinete da Kesley’. Porque cuidar desse tema é extremamente desafiador.”

Após ser reeleita, ela recebeu o convite para assumir a Secretaria de Esportes de Campo Limpo Paulista. “Fui reeleita e recebi o convite para assumir a Secretaria de Esportes. Confesso que fiquei muito mexida. Pensei: ‘Será que vou dar conta?’. Mas entendi que era o momento de sair do papel de quem cobra para o papel de quem executa. Era hora de colocar em prática aquilo que eu defendia na Câmara.”

À frente da secretaria há seis meses, Kesley afirmou que sua gestão tem buscado ampliar políticas públicas voltadas ao esporte inclusivo.
“Na próxima semana vamos lançar um projeto muito importante em Campo Limpo Paulista: um núcleo do Centro de Referência Paralímpico, que vai atender crianças e adolescentes com diferentes tipos de deficiência. Também estamos implantando novas modalidades esportivas adaptadas para ampliar o acesso dessas pessoas ao esporte.”
A secretária relatou que ainda enfrenta resistências em um ambiente historicamente dominado por homens. “Um dos desafios é justamente a estranheza quando uma mulher assume a Secretaria de Esportes. Ainda existe certa resistência. Somos poucas mulheres nesses espaços e isso causa impacto. É uma questão cultural, ainda muito marcada pelo machismo. Mas eu não tenho problema com desafios. Quando sou desafiada, sigo em frente.”

Kesley também ressaltou a importância do acolhimento às famílias de crianças com deficiência que buscam atividades esportivas.
“Quando recebemos uma família na secretaria, especialmente quando envolve uma criança com deficiência, precisamos ter muito cuidado e acolhimento. Muitas vezes essas famílias chegam inseguras. Elas precisam de atenção, escuta e orientação para que o esporte seja realmente uma experiência positiva e agregadora.”
Ao final, ela citou o exemplo de uma atleta de Campo Limpo Paulista que simboliza o impacto transformador do esporte inclusivo.

A maratonista Nádia Caroline Ferreira, de 38 anos, é monocular e possui apenas 30% da visão no olho esquerdo. Mesmo enfrentando essas limitações, ela conquistou índice para disputar a Maratona de Boston, uma das provas mais tradicionais e exigentes do atletismo mundial.
Formada em engenharia civil e técnica em segurança do trabalho, Nádia encontrou no esporte um novo caminho de vida. Atualmente cursa Educação Física e projeta seu futuro profissional também ligado ao universo esportivo.

Para Kesley, histórias como a da atleta demonstram como o esporte adaptado pode se tornar um poderoso instrumento de transformação social.
“O esporte abre caminhos, devolve autoestima e cria oportunidades reais para quem muitas vezes foi colocado à margem da sociedade. Quando investimos em inclusão por meio do esporte, não estamos apenas formando atletas, estamos formando cidadãos e oferecendo dignidade para muitas famílias”, concluiu.

Do sonho de menina ao legado no esporte
A última palestrante da programação foi a campeã olímpica Tandara Alves Caixeta, ex-atleta da seleção brasileira de voleibol e medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres (2012). Ao longo da carreira, também conquistou importantes títulos internacionais e foi reconhecida como uma das grandes opostas do voleibol mundial.

Encerrando o ciclo de palestras, Tandara compartilhou sua trajetória no esporte e falou sobre o novo capítulo de sua vida após a aposentadoria das quadras.
Ao iniciar sua fala, recordou a infância marcada por sonhos e pelo incentivo da família.
“Eu tive dois pais muito incentivadores. Meu pai também foi jogador de vôlei e tinha o sonho de vir para São Paulo para seguir carreira no esporte. Mas um problema grave de saúde da minha avó fez com que ele tivesse que abandonar esse sonho para cuidar da família. De certa forma, eu sinto que realizei aquilo que era o sonho dele: vestir a camisa da seleção brasileira e defender o Brasil.”

Tandara contou que começou no esporte ainda muito jovem e que a disciplina sempre foi uma condição imposta pelo pai.
“Comecei no vôlei com nove anos. Meu pai só permitia que eu seguisse no esporte se eu mantivesse os estudos e cumprisse todas as minhas responsabilidades em casa. Eu acordava às cinco da manhã, ia para a escola e depois treinava até a noite. Sempre fui uma atleta muito comprometida. Mesmo sendo infantil, treinava com categorias mais velhas e até com o adulto.”

Aos 14 anos, viveu um dos momentos mais marcantes de sua trajetória: sair de casa para jogar profissionalmente.
“Uma amiga que já jogava em Uberlândia me ligou perguntando se eu queria ir para o Praia Clube. Isso era dez horas da manhã e eu precisava estar lá às cinco e meia da tarde para treinar. Expliquei para minha mãe que aquele era o meu sonho. Meu pai largou tudo no trabalho, arrumamos as coisas e viajamos imediatamente para Uberlândia.”

Segundo ela, a decisão foi difícil para a família. “Minha mãe, com os olhos cheios de lágrimas, perguntou: ‘Filha, é isso mesmo que você quer?’. Eu disse que sim. Era o sonho da minha vida. Quando meus pais foram embora eu fiquei sentada no meio-fio chorando, mas a partir dali eu nunca mais parei.”
A trajetória no voleibol a levou aos principais palcos do esporte mundial. Tandara disputou três ciclos olímpicos — Londres 2012, Rio 2016 e Tóquio 2020 — e conquistou o ouro olímpico em Londres, além de medalhas em mundiais e nos Jogos Pan-Americanos.
“Hoje tenho uma coleção de medalhas e troféus que justificam todo o esforço, todos os sacrifícios, as festas que deixei de participar e toda a disciplina necessária para ser uma atleta de alto rendimento. E eu posso garantir: valeu a pena.”

Após encerrar a carreira nas quadras, a ex-jogadora decidiu dedicar sua experiência à formação de novas gerações. “Hoje sou empreendedora do esporte. Tenho uma escola de voleibol em Osasco com cerca de 600 alunos. Eu e meu marido, que também veio de origem humilde e de projetos sociais, sabemos as dificuldades que muitas crianças enfrentam para seguir no esporte. Por isso buscamos abrir oportunidades também para quem não tem condições financeiras.”

Segundo Tandara, o trabalho desenvolvido atualmente vai além da formação esportiva. “Recebemos crianças a partir de seis anos até adultos com cerca de 60 anos. Também atendemos jovens que enfrentam problemas como depressão e ansiedade. É um trabalho que exige sensibilidade, cuidado e um olhar muito humano. Precisamos envolver também as famílias para que compreendam o processo.”

Para a campeã olímpica, a missão atual é contribuir para que o esporte continue sendo uma ferramenta de transformação social.
“Depois de tantos anos dedicados ao alto rendimento, encontrei um novo propósito: ajudar a transformar a vida de outras pessoas por meio do esporte. Quando vejo o impacto que esse trabalho tem na vida de tantas crianças e jovens, percebo que tudo valeu a pena.”

Homenageadas
Como parte da programação do encontro, a diretoria da Associação dos Secretários Municipais de Esporte do Estado de São Paulo (ASEMESP) prestou uma homenagem especial a mulheres que se destacam pela atuação nas áreas da gestão pública, educação, esporte e desenvolvimento social. Ao todo, 35 profissionais foram homenageadas durante a cerimônia e receberam certificado de reconhecimento institucional, em valorização ao trabalho desenvolvido em seus municípios e instituições.

A iniciativa buscou reconhecer trajetórias marcadas pelo compromisso com o serviço público, pela promoção de políticas inclusivas e pela contribuição ao fortalecimento das comunidades em que atuam.

Profissionais homenageadas no encontro:
Damaris Piteri — primeira-dama de Barueri
Cláudia Marques — vice-prefeita de Barueri
Ivana Maria Bertolini Camarinha — prefeita de Pederneiras
Adriane Reis - procuradora do Ministério Público do Estado de São Paulo
Kesley Cristine Foresto Cavichio — vereadora e secretária de Esporte, Campo Limpo Paulista
Tandara Alves Caixeta — campeã Olímpica e gestora esportiva, São Paulo
Adriana Molina — secretária da Mulher de Barueri
Kátia Maria Riêra Machado — diretora da Secretaria da Educação de São José dos Campos
Rita Orsi — secretária de Esporte e Lazer de Jundiaí
Agnes Cristina Miranda — secretária de Esportes de Franco da Rocha
Fernanda Bondantome — secretária de Esporte e Entretenimento de Caçapava
Clarita Cristina Balestrin — secretária de Esportes de Botucatu
Fernanda Oliveira Kasper — diretora de Projetos Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo
Leomar Pereira de Souza Paiva — secretária de Esporte de Macatuba
Tatiana Taís — secretária de Esportes de Cabreúva
Anaile Ziccarelli — diretora do Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo
Regiane Ferreira — secretária adjunta de Esportes de Barueri
Gabriela Euflausino da Silva — diretora, Franco da Rocha
Aparecida Amorielo — secretária de Gabinete e presidente do Finsocial de Macatuba
Giane Vieira — jornalista, Osasco
Aline Borges — psicóloga, Barueri
Alessandra Amorim Souza — secretária adjunta de Esporte e Lazer de Jundiaí
Aide Angélica de Oliveira Nessi — professora e diretora, Campo Limpo Paulista
Ieda Maria Bertolini — presidente do Fundo Social de Solidariedade de Pederneiras
Letícia Camargo Melchiades — secretária de Desenvolvimento e Assistência Social Pederneiras
Maria Aparecida de Oliveira — presidente da Federação de Boxe do Estado de São Paulo
Cris Kajiwara — presidente da Confederação Brasileira de Futebol Americano
Gisele Inácio — diretora, Campo Limpo Paulista
Nádia Caroline Ferreira — atleta do programa de inclusão, Campo Limpo Paulista
Lena Marques — secretária adjunta da Secretaria de Esportes e Juventude de Cotia
Dilma Mendes — professora da Secretaria de Esportes e Juventude de Cotia
Viviane Ramajo — diretora Sindicato das Entidades de Administração do Desporto de São Paulo
Isadora Lopes — WBC Soluções

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