A força dos esportes urbanos e a ocupação qualificada dos espaços públicos na cidade de São Paulo
- ASEMESP

- 31 de jul. de 2025
- 3 min de leitura

Skate, bike e patins reúnem gerações, estimulam a inclusão e mostram como o esporte pode transformar a cultura urbana das cidades.
Por Paulo Pinto – Ascom Asemesp
São Paulo, 31 de julho de 2025
A cultura urbana pulsa nas praças, nas pistas e no concreto da cidade. Em São Paulo, a força dos esportes de rua como o skate, a bike, o patins e o BMX vai muito além do lazer: é um fenômeno social que integra gerações, transforma vidas e ocupa os espaços públicos com liberdade, pertencimento e criatividade.
No Centro de Esportes Radicais, localizado na Zona Norte da capital, o cenário é inspirador. Crianças, jovens e adultos dividem o mesmo espaço com respeito e cumplicidade. Otávio, 45 anos, conta que voltou a andar de bicicleta após décadas parado. “Parei nos anos 90 e voltei há cerca de um ano e meio. Mudei para o estilo dirt e estou me adaptando bem”, diz. “Essa pista aqui é ideal. No meio da correria do trânsito de São Paulo, a gente tira um tempo para andar um pouco de bike.”

Para ele, é notável a presença crescente de crianças e adolescentes. “Vejo muitas crianças andando, e isso é muito importante. Elas saem das telas, se dedicam ao esporte, criam vínculo com a atividade esportiva. Isso é saudável para o corpo e para a mente.”
Cidade que acolhe, cidade que educa
A prática dos esportes urbanos nas ruas, além de contribuir para a saúde física, fortalece valores como independência, disciplina e criatividade. O skatista Deivio Card, de 59 anos, é testemunha disso. Ele anda de skate desde os anos 1970 e viu uma revolução com o surgimento de pistas adequadas. “Na nossa época não tinha nada disso. Hoje tem lugar seguro pra andar, e isso faz toda a diferença”, afirma.

Além de praticante, Deivio é um exemplo de inclusão. Desde 2006, dá aulas de skate de forma voluntária. Hoje, dedica-se a um projeto voltado para pessoas com deficiência. “Tenho um aluno com cegueira total. É um desafio, mas o retorno é muito positivo. Inclusive, tenho usado esse espaço aqui para ajudá-lo no reconhecimento do ambiente. Por isso, reforço: espaços como esse são fundamentais. Quem dera se, em cada praça, tivéssemos algo parecido.”
Cultura urbana e políticas públicas
A partir da belíssima reportagem de Ana Brandine, da Prefeitura de São Paulo, esta análise ganha um novo olhar, voltado à urgência de se pensar políticas públicas que valorizem os esportes urbanos como instrumentos de inclusão, convivência e formação cidadã.

O esporte de rua é mais do que uma atividade física – ele representa identidade, expressão cultural, inclusão e pertencimento. Graffiti, dança de rua, hip-hop e modalidades como BMX, skate e patins formam um ecossistema que merece atenção especial. E isso exige investimentos contínuos em infraestrutura, segurança, manutenção e acessibilidade, de forma planejada e duradoura.
Enquanto isso, as histórias de Otávio, Deivio e tantos outros que emergem das pistas urbanas mostram o enorme potencial de transformação que o esporte tem quando ocupa os espaços da cidade com estrutura e respeito.
Compromisso municipal
Como entidade de apoio à gestão pública esportiva em todos os 645 municípios paulistas, a Asemesp reconhece e valoriza o impacto positivo da cultura urbana esportiva e reforça a importância de iniciativas como a da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de São Paulo, responsável pela gestão do Centro de Esportes Radicais e de outros espaços fundamentais para a democratização da prática esportiva.
“Os espaços públicos esportivos precisam ser concebidos como centros vivos de convivência, inclusão e transformação social. As cidades devem estar preparadas para acolher múltiplas manifestações esportivas como extensão da vida urbana, da formação cidadã e da valorização da diversidade cultural de seus habitantes”, afirma Tom Moisés, o presidente da Asemesp.





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